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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Florbela Espanca




Florbela Espanca (Vila Viçosa8 de Dezembro de 1894 — Matosinhos8 de Dezembro de 1930), batizada com o nome Flor Bela de Alma da Conceição, foi uma poetisa portuguesa. A sua vida de trinta e seis anos foi tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização e feminilidade.


Fonte: WIKIPÉDIA






Não sou muito íntima dos poemas dela, mas alguns que conheço gosto muito. É muito interessante a estilística dela, e sempre digo brincando, mas que é muito verdade , que toda vez que leio seus poemas  fico deprimida. Tem algo de sombrio, misterioso e triste nos seus versos. A impressão que me fica é que ela nunca foi amada, e só soube o que era o amor nas suas ilusões, e que neles também era algo muito sofrido, inacabado, egoísta e totalmente utópico.


"O amor seria mais sangue e dor pungente, do que qualquer flor bela que brote na imaginação e nos corações das pessoas." 
Vanessa Monique 



Alguns trechos escritos por Florbela que eu mais gosto:


EU

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...
Sou aquela que passa a ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!



VERSOS DE ORGULHO

O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque o meu Reino fica para além...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!
O mundo! O que é o mundo, ó meu Amor?
— O jardim dos meus versos todo em flor...
A seara dos teus beijos pão bendito...
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
— São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.





AMBICIOSA

Para aqueles fantasmas que passaram,
Vagabundos a quem jurei amar,
Nunca os meus braços lânguidos traçaram
O vôo dum gesto para os alcançar...
Se as minhas mãos em garra se cravaram
Sobre um amor em sangue a palpitar...
— Quantas panteras bárbaras mataram
Só pelo raro gosto de matar!
Minha alma é como a pedra funerária
Erguida na montanha solitária
Interrogando a vibração dos céus!
O amor dum homem? — Terra tão pisada!
Gota de chuva ao vento baloiçada...
Um homem? — Quando eu sonho o amor dum deus!


A MINHA TRAGÉDIA

Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que minh’alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!
Ó minha vã, inútil mocidade,
Trazes-me embriagada, entontecida! ...
Duns beijos que me deste noutra vida,
Trago em meus lábios roxos, a saudade! ...
Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!
Gosto da Noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim! ...


FRIEZA

Os teus olhos são frios como espadas,
E claros como os trágicos punhais;
Têm brilhos cortantes de metais
E fulgores de lâminas geladas.
Vejo neles imagens retratadas
De abandonos cruéis e desleais,
Fantásticos desejos irreais,
E todo o oiro e o sol das madrugadas!
Mas não te invejo, Amor, essa indiferença,
Que viver neste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!
Tu invejas a dor que vive em mim!
E quanta vez dirás a soluçar:
“Ah! Quem me dera, Irmã, amar assim! ... ”







13 comentários:

disse...

Ahhhhhhhhhhhh, que post maravilhoso!
Eu AMO Florbela Espanca. Passei a adolescência inteira lendo seus versos.
Gosto bastante do "Fanatismo", "Sem remédio" e "Fumo". Perfeitos!

Beijinhos :)

orvalho do ceu disse...

Olá, querida
Venho propor-lhe algo no meu post de hoje...
Conto com sua participação amiga.
Excelente semana,cheia de ricas bênçãos!!!
Abraços fraternos

Cadinho RoCo disse...

Tão denso o dizer de Florbela!
Cadinho RoCo

Mary disse...

Uau...que deprimida!
Sinto que ela viveu a procura do que não existiu e isso a deixou assim...que triste!

Quero agradecer sua visita em meu blog...quando puder, volte sempre!

Um beijo enorme!

Valéria Sorohan disse...

Sempre achei minha avó parecida com a Florbela.
Post primoroso esse de hoje.

BeijooO

Mania de Gloss disse...

Nossa ela arrasa heim, ela escreve com a alma, gosto disso.
BeijO!

Nara disse...

Adorei o que li da Florbela!
Lindos poemas!
Beijos
Nara
www.segredosfashion.com
http://rosianra-store.blogspot.com

mag disse...

Os poemas de Florbela transpiram, sangram, sorriem, choram, gritam...enfim são vivos, verdadeiros! Amo muito!

bjão e parabéns pelo post!

itupgirl.blogspot.com

karla C. disse...

Bom, de falta de intensidade ao menos... a poetisa não sofreu. Soube transferir muito bem seus sentimentos em seus escritos. Mas, sinceramente, esse tipo de literatura não me atrai muito. Sou do tipo que gosta de histórias mesmo... ficção. Ou biografias de pessoas loucas.

viciose.blogspot.com

Haylla disse...

Flor, que luxo..

xerinho e otimo fds! =)

Haylla disse...

Flor, que luxo..

xerinho e otimo fds! =)

Karine Melo disse...

Ah, otima escolha nos versos... Lindos!

Tenha um final de semana de luz :)

Bju, Vanessa :*

Alexandre Fernandes disse...

Ela tem uns poeminhas tão fascinantes. É incrível a forma dela escrever sobre os sentimentos, o amor...

Bela escolha.

Beijos Monique.

Se cuida anjo!

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